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Correio da Manhã    por    C-Studio

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Tudo o que é papel vai para o papelão?
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Tudo o que é papel vai para o papelão?

É certo que devemos pôr o papel e o cartão no ecoponto azul, mas e os guardanapos, o rolo de cozinha e o papel higiénico? As caixas de pizza podem ser recicladas? É preciso retirar os rótulos das embalagens? Explicamos-lhe tudo para reciclar mais papel e melhor.

Há diversos tipos de papel e cartão. A maioria tem lugar no ecoponto azul. Revistas e jornais, folhas para impressão, cadernos, sacos de papel e embalagens de cartão são todos recicláveis e devem ser encaminhados, depois de usados, para a reciclagem. Este pequeno gesto diário ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribui para a preservação do ambiente. Uma caixa de sapatos pode vir a ser o próximo livro que vai ler. Uma caixa de mudanças pode transformar-se num tubo de rolo de cozinha ou nas folhas do jornal de domingo. O pacote de açúcar do bolo que fez para o lanche ainda pode ter um futuro bem mais doce. 

Quando se produz papel reciclado, estamos a poupar duas a três vezes mais energia do que a produção de papel a partir de fibra vegetal. A transformação do papel também tem outras vantagens: a cada tonelada reciclada são poupadas entre 15 e 20 árvores. Para produzir papel e cartão pela primeira vez é necessário obter polpa de fibra de celulose que se retira de árvores como os eucaliptos. Aquilo que garante a resistência do papel são as ligações químicas entre as fibras. No processo de reciclagem, há tipos de papel que não podem ser transformados, pois o facto de estarem sujos e húmidos afeta essas ligações químicas, impedindo a produção de material com qualidade.

É por essa razão que tudo o que é papel não vai para o papelão. Falamos de papel higiénico, lenços de assoar, rolo de cozinha, guardanapos, caixas de pizza e de bolos com gordura. Estes materiais são muito absorventes e, quando entram em contacto com líquidos ou gorduras, ficam contaminados, o que impede que sejam reciclados. Quando coloca uma caixa de cartão com gordura no ecoponto azul, todo o processo na estação de triagem sofre atrasos. Primeiro, é dificultada a tarefa de quem separa os resíduos e, segundo, há um risco de contaminação dos materiais recicláveis pelos não recicláveis, o que pode conduzir ao desperdício.

O que deve (ou não) pôr no azul

Como falámos em cima, longe da reciclagem devem ficar os guardanapos, papel de cozinha e papel higiénico. Devido à sujidade e à composição fibrosa, são um material que não pode ser aproveitado para a reciclagem. Depois de usados, devem ser colocados no contentor do indiferenciado. E as embalagens com gordura que transportam comida como caixas de pizza e takeaway? Apesar de serem cartão, não podem ser depositadas no ecoponto azul. A sujidade e a gordura inviabilizam a reciclagem do papel e do cartão pois este não se consegue “lavar”. Papel ou cartão com sujidade ou gordura vão para o indiferenciado.

Já a folha de rascunho dos trabalhos de casa ou a montanha de papéis de embrulho amachucada que se acumula no Natal, pode (e deve) ser reciclada. Antes, verifique se não há papel que possa ser reutilizado. Outra questão: os rótulos das garrafas de água ou vinho devem ser retirados das embalagens e colocados no ecoponto azul? Não. O processo de reciclagem consegue separar estes elementos. É até importante que os rótulos sigam colados na garrafa para que não se percam ao longo do circuito. Existem exceções e, nesses casos, sempre que solicitado na embalagem, os rótulos devem ser retirados e colocados no respetivo ecoponto – como acontece, por exemplo, com os detergentes.

No caso das embalagens com diferentes materiais, para simplificar o processo de separação para reciclagem, deve seguir-se a regra do material que está em maioria. Isto é, se a embalagem é maioritariamente constituída por papel, ela deve ir para o ecoponto azul, apesar de também conter uma porção de plástico. Esta ideia aplica-se a diversas embalagens cuja constituição é mista ou que possuem uma tampa de material diferente. Por exemplo, os sacos de papel para o pão com janela plástica ou as caixas de brinquedos, que muitas vezes são compostas por cartão e plástico. 

Lembre-se: nos ecopontos só se colocam embalagens usadas. À exceção do contentor azul que, para além de embalagens de papel e cartão, também aceita revistas, jornais e papel de escrita. No chamado papelão encontram-se frequentemente outros resíduos errados: fraldas e caixas com restos de comida, por exemplo. São resíduos sujos e, portanto, vão contaminar os materiais que têm ali lugar garantido. O mesmo se aplica ao papel autocolante, sacos de cimento e embalagens de produtos químicos que não podem ser reciclados.

Reciclar é mais do que separar por ecopontos. Na hora de transformar os resíduos, existem práticas que fazem toda a diferença. A Sociedade Ponto Verde, que celebra 25 anos, desafia-o a ter um pequeno ecoponto doméstico para depositar as embalagens no lugar correto de modo que este chegue à estação de triagem com o conteúdo certo. São as pequenas ações do dia a dia que contribuem para um planeta mais saudável.

Percurso da reciclagem de papel

Sabia que, durante a sua vida, uma pessoa pode reciclar papel suficiente para produzir 85 mil caixas de ovos? Esqueça a ideia de que, após o papel ser reciclado uma vez, tem de ir para o lixo comum. O papel reciclado ainda pode ter mais seis novas vidas. Depois de colocar o papel e o cartão no ecoponto, este é transportado, em separado, em viaturas para os centros de triagem de todo o país. Todos os dias, são recicladas embalagens de papel e cartão que pesam o mesmo que dois foguetões.

Tanto de forma manual como mecânica, os resíduos são revistos para garantir que não há materiais que possam condicionar a reciclagem do papel e do cartão. De seguida, os resíduos provenientes do ecoponto azul são misturados com água num mecanismo de grande turbulência de forma que as fibras se separem. Posteriormente, recorrendo a coadores, a pasta aquosa é novamente filtrada para que sejam eliminados quaisquer contaminantes que ainda possam existir. 

Já livre de contaminação, o passo seguinte é pôr a pasta obtida numa passadeira em movimento para que seque. Neste processo, a pasta de fibra tem ajuda de rolos pesados e aquecidos que facilitam a secagem e a formação de enormes folhas de papel ou cartão. Estas folhas gigantes são, de seguida, cortadas em tamanhos mais pequenos para serem encaminhadas para a produção de novos produtos e embalagens.

Luísa Sobral

Luísa Sobral

@luisasobral
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